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Projeto Caatinga

Esporos micorrizicos em germinação em raízes de Enterolobium contortisiliquum.

O termo micorriza é utilizado para designar a associação simbiótica que ocorre entre alguns fungos e as raízes das plantas. A colonização destes fungos beneficia a planta hospedeira pela absorção mais eficiente de água e nutrientes, reduz perdas por estresses bióticos ou abióticos, e melhora a eficiência fotossíntetica e a produção de raízes. Em troca, esses microrganismos recebem carboidratos das plantas (gerados a partir da fotossíntese). Essa simbiose ocorre naturalmente sob as mais diversas condições ambientais, sendo considerada a associação simbiótica mais comum nos solos.

São dois os tipos de micorrizas que são encontradas em árvores: as ectomicorrizas e as endomicorrízas (ou micorrizas arbusculares). Os fungos micorrízicos arbusculares (FMA) colonizam desde Briófitas à Angiospermas. Suas estruturas, quando colonizando raízes, penetram as células destas e, ao contrários das ectomicorrizas, não podem ser vistas a olho nú. As hifas que se exteriorizam das raízes podem chegar até 8 cm de comprimento, aumentando assim a capacidade das plantas de absorver nutrientes de baixa mobilidade. Essa característica é mais enfatizada em solos de regiões tropicais, onde o fósforo, que apresenta alta taxa de adsorção às partículas do solo, é um dos nutrientes que mais limita a produção agrícola.

Como parte do Projeto Caatinga é mantido um banco de micorrizas (ver imagem abaixo) com seis isolados de cinco gêneros (Gigaspora margarita, Dentiscutata heterogama, Rhizophagus clarus, Acaulospora colombiana, Claroideoglomus etunicatum e Acaulospora scrobiculata), obtidos da Coleção de Fungos Micorrízicos Arbusculares da Embrapa Agrobiologia (Seropédica, RJ), sendo feita a quantificação de esporos presentes e avaliação da colonização micorrízica nas raízes, além de desenvolver trabalhos que visam avaliar o efeito da inoculação de FMA nas espécies nativas da Caatinga.

 

Banco de micorrizas mantido em Brachiaria decumbens. (1. Gigaspora margarita; 2. Dentiscutata heterogama; 3. Rhizophagus clarus; 4. Acaulospora colombiana; 5. Claroideoglomus etunicatum; e 6. Acaulospora scrobiculata)

 

Referências

  1. COLOZZI-FILHO, A.; BALOTA, E. L. Micorrizas arbusculares. In: HUNGRIA, M.; ARAÚJO, S. R. (Eds.). Manual de métodos empregados em estudos de microbiologia agrícola. Brasília: Embrapa, 1994. p. 383-418.
  2. CRAM, M. M.; DUMROESE, K. R. Mycorhizae in Forest Tree nurseries. In: CRAM, M. M. F. e MALLAMS, K. M. (Eds). Forest Nursery Pests. Washington, DC: Agriculture Handbook, Forest Service, 2012. p. 20–25.
7 de dezembro de 2018. Visualizações: 871. Última modificação: 24/01/2019 09:21:43