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Projeto Caatinga

Porte, forma da copa, cor e hábito de crescimento

 Porte arbóreo, chegando a atingir de 10 a 15 metros de altura, sendo considerada uma das árvores mais altas encontradas na caatinga. A copa é subglobosa e pouco densa. É uma espécie heliófila, que não desenvolve perfeitamente em baixas temperaturas. Apresenta hábito de crescimento irregular, desenvolvendo-se lentamente (PEREIRA, 2003; CARVALHO, 2009; MAIA, 2012).

 Características vegetativas

  • Casca e caule

Casca externa espessa com aspecto reticulado, ou seja, ocorre a formação inúmeras placas ou fissuras longitudinais e transversais ao longo do caule. Tem coloração escura, variando de cinza a preta e superfície áspera; a casca interna possui coloração castanho claro. O fuste cresce ereto e bem desenvolvido, atingindo cerca de 50 a 60 cm de diâmetro. Os ramos da espécie são espinhosos (LORENZI, 1992; CARVALHO, 2009; GONÇALVES; LORENZI, 2011; MAIA, 2012).

Casca externa da Baraúna.

  • Folhas

Filotaxia alterna, folha composta imparipinada (número de folíolos ímpar), contendo de 7 a 17 folíolos com formato oblongo. Cada folíolo tem de 3 a 4 cm de comprimento por 2 cm de largura, superfície não pilosa e consistência subcoriácea. Apresenta folhagem discolor, sendo a face adaxial de coloração verde escuro e a face abaxial no tom verde pálido (LORENZI, 1992; GONÇALVES; LORENZI, 2011; MAIA, 2012).

Galho de Baraúna mostrando a filotaxia alterna, e a folha composta imparipinada.

  • Flor

Inflorescência indeterminada do tipo panícula. Segundo Kiill e Dias (2008), as inflorescências contendo flores masculinas são mais ramificadas e frondosas do que as inflorescências com flores femininas. As flores possuem tamanho pequeno, com 3 a 4 mm de diâmetro; a coloração pode variar de branco a creme e são levemente perfumadas. A reprodução da espécie ocorre através da polinização cruzada, sendo as abelhas e moscas os principais visitantes florais (KIILL; DIAS, 2008; CARVALHO, 2009; MAIA, 2012).

  • Fruto

Segundo Santos et al (2018), os frutos da espécie são secos, indeiscentes do tipo sâmara, apresentando expansões em formato de asa na sua porção apical (alado). Possui epicarpo membranoso, mesocarpo esponjoso e endocarpo lenhoso. A coloração apresenta diferença de acordo com o estágio de maturação, passando de verde a castanho claro ou tom amarronzado; tem superfície lisa, brilho fosco e possui formato semelhante a uma foice, levemente curvado e com um lado mais estreito que o outro, chamado formato falciforme. Tem de 3 a 3,5 cm de comprimento e cada fruto contém apenas uma semente (GONÇALVES; LORENZI, 2011; MAIA, 2012).

Frutos imaturos (A) e maduros (B) de Baraúna.

  • Sementes e síndrome de dispersão

As sementes apresentam tegumento duro impermeável a água, coloração amarelo claro sem brilho, formato obovóide tendendo a reniforme, textura lisa com pequenas cavidades (CARVALHO, 2009; SANTOS et al., 2018). Medem, em média, 1,2 cm de comprimento por 0,8 cm de largura. São dispersas de forma anemocórica, ou seja, pelo vento (DIAS et al., 2007; LIMA et al., 2008).

Sementes de Baraúna.

 

Referências

CARVALHO, P. E. R. Braúna-do-Sertão – Schinopsis brasiliensis. Circular Técnica, 222, Embrapa Florestas, 2009, 1-13 p.

DIAS, C. T. V.; SILVA, P. P.; KILL, L. H. P. Morfologia e dispersão de frutos de Schinopsis brasiliensis (Anacardiaceae) na Reserva Legal do Projeto Salitre, Juazeiro-BA. In: Embrapa Semiárido – Artigo em anais de congresso (ALICE). In: JORNADA DE INICIAÇÃO CIENTIFICA DA EMBRAPA SEMIÁRIDO, 2007, Petrolina. Anais… Petrolina: Embrapa Semi-Árido, 2007.

GONÇALVES, E. G.; LORENZI, H. Morfologia vegetal: organografia e dicionário ilustrado de morfologia das plantas vasculares. 2. ed. São Paulo: Instituto Plantarum de Estudos da Flora, 2011. 316 p.

KIILL, L. H. P.; DIAS, C. T. V. Biologia floral e reprodutiva da baraúna. Folders, Embrapa Semiárido, 2008.

LIMA, V. V. F.; VIEIRA, D. L. M.; SEVILHA, A. C.; SALOMÃO, A. N. Germinação de espécies arbóreas de floresta estacional decidual do vale do rio Paranã em Goiás após três tipos de armazenamento por até 15 meses. Biota Neotrop, v. 8, n. 3, 2008.

LORENZI, H. Árvores brasileiras: manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas nativas do Brasil. 1. ed.  Nova Odessa, SP: Editora Plantarum, 1992. 6 p.

MAIA, G. N. Caatinga: árvores e arbustos e suas utilidades. 2. ed. Fortaleza, CE: Printcolor Gráfica e Editora, 2012, 135 p.

PEREIRA, S. C.; GAMARRA-ROJAS, C. F. L.; GAMARRA-ROJAS, G.; LIMA, G.; GALLINDO, F. A. T. Plantas Úteis do Nordeste  do Brasil. Centro Nordestino de Informações sobre Plantas – CNIP; Associação Plantas do Nordeste – APNE, 2003, 37 p.

SANTOS, J. C. C.; SILVA, D. M. R.; COSTA, R. N.; SILVA, C. H.; SANTOS, W. S.; MOURA, F. D. B. P.; SILVA, J. V. (2018). Aspectos biométricos e morfológicos de frutos e sementes de Schinopsis brasiliensis. Nativa, Sinop, v. 6, n. 3, 2018, 219-224 p.

10 de setembro de 2020. Visualizações: 209. Última modificação: 10/09/2020 11:42:10